2009-06-26
Nós, sem-teto, estávamos desde o final de maio na rua, devido à interdição do prédio que ocupávamos, na Rua Gomes Freire 510, pela prefeitura(movendo ação judicial), após um incêndio criminoso que atingiu apenas alguns dos andares, ocupamos outro prédio abandonado, na Rua Mem de Sá 234 (próximo à Praça da Cruz Vermelha). Foi uma questão de urgência, já que estávamos sofrendo as maiores exposições com bebês recém nascidos(!!), idosos e crianças na marquise da nossa antiga moradia e ainda estávamos sendo ameaçados de expulsão dali para terça feira (23/06).
Tivemos nosso pedido de cadastro no aluguel social negado pelo Município. Mas o Estado reconheceu a situação limite e cedeu. Agora o proprietário do imóvel, o INSS, moveu uma ação de reintegração de posse aprovada pela juíza Claudia Neiva da 14ª Vara Federal Cívil, programada para acontecer em qualquer hora do dia ou da noite(como consta na ordem judicial) com a ação da Policia Federal. Sabemos que desde 2002 o Governo Federal promete implementar um programa de transformação de prédios da União(a qual pertence o INSS) abandonados em moradia para famílias de baixa renda. Por que então pretendem botar famílias na rua sendo que próprio governo do Estado cedeu o aluguel social, reconhecendo essa questão urgente? Essa é a política de moradia aos trabalhadores: crianças, recém nascidos, idosos, mulheres e homens na rua, sem qualquer oportunidade. A tríplice aliança do governo Federal, Estadual e Municipal(apresentados pelas figuras de Lula, Sérgio Cabral e Eduardo Paes) move choques de ordem e a suposta “revitalização” do centro do Rio, que não passa de uma suja parceria de especulação imobiliária e empresas privadas disposta a expulsar toda a população pobre daqui.
Esperamos ser ouvidos, ser um exemplo de resistência contra essa política e pedimos aos trabalhadores e trabalhadoras da cidade que se organizem em solidariedade a nós!
Se morar é um direito, ocupar é um dever!