Fotos do protesto da comunidade do Andaraí no dia 24/11
A manifestação na Praça Nobel (Grajaú, próximo à subida da favela) foi em protesto contra o assassinato, por PMs do 6º Batalhão, do entregador de farmácia Fabiano de Melo, 19 anos, no dia 18/11 (ver relato do caso aqui)
A manifestação reuniu diversas moradoras e moradores da comunidade, inclusive muitos jovens e crianças. O comandante do 6º, Álvaro Garcia, pressionou para que não houvesse uma passeata inicialmente prevista até o batalhão, mas em compensação esteve presente durante todo o ato, ouvindo fortes críticas da comunidade e tendo que se comprometer publicamente a não permitir operações policiais no horário de chegada das crianças da escola, uma das mais antigas reivindicações não só do Andaraí, mas de várias comunidades da Tijuca e de outras partes do Rio. O coronel também afirmou que os policiais envolvidos na operação de 18/11 estavam afastados do batalhão, embora não desse o nome deles (como exigido pela comunidade) nem esclarecesse se estavam afastados do serviço ou apenas trocaram de batalhão. Lembramos que Álvaro Garcia ficou “famoso” quando imagens de uma sessão de espancamento que ele comandava (em 1997, na época era major) na Cidade de Deus foram divulgadas pela televisão em 2003.
Estavam também presentes moradores da comunidade do Borel, inclusive Dalva, mãe de um dos rapazes assassinados na chacina de 2003. Dalva deu uma “aula” de segurança pública ao coronel, dizendo que o bom policial é aquele que prende e conduz a pessoa detida à justiça, não aquele que mata. Também falou da importância das comunidades persistirem em sua luta por justiça, dando como exemplo o próprio caso do Borel, no qual, depois de mais de três anos, finalmente os culpados começaram a ser condenados.
Cláudia, moradora e presidente da Associação de Moradores, afirmou que a comunidade permanecerá mobilizada cobrando os compromissos do comandante e exigindo justiça, e que iria para a rua “parar a Tijuca” se fosse necessário.
Em determinada altura da manifestação, precisamente quando o coronel falava, um morador de rua ajoelhou-se ao seu lado simulando estar algemado e rendido, uma cena comum de humilhação a que Álvaro Garcia certamente já submeteu muitos moradores de favelas.
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