Source: Campanha Reaja (BA)
URGENTE: Massacre de Canabrava (periferia de Salvador-BA)
Como muitos de vocês devem saber, nestes últimos dias mais uma operação
policial militar do governo do estado da Bahia resultou em massacre na
periferia de Salvador. Este último caso, foi no bairro de Canabrava, dia
16 de junho: cinco jovens executados sumariamente pela polícia, sendo que
três deles da mesma família. Três filhos assassinados na frente de uma
única Mãe: Edmilson (22 anos), Manoel (23 anos) e Rogério (24 anos).
De imediato algumas organizações negras baianas escreveram algumas
primeiras reações, no calor da hora, da dor e da revolta. Como diz um dos textos, infelizmente com muita
serenidade: “estamos convictos que o papel de nossa geração é não morrer
calada”. No entanto se quer mais: os movimentos sociais periféricos e a
juventude negra organizada reaje contra o genocídio, e prepara novas
mobilizações. Precisam ser apoiados de todas as maneiras possíveis! A
começar por ecoar suas denúncias!
Renicia-se agora e ganha força, depois do último massacre, uma ampla
campanha pela saída imediata do atual Secretário de Segurança Pública,
César Nunes, que prefere ser chamado de “Secretário de Polícia”. Ele o
mesmo que, como integrante de um governo “democrático-popular”, no início
do ano em entrevista para o jornal A Tarde (09/01/2009) declarou: “Se tem
que tombar, que tombe do lado de lá, não vai tombar do nosso lado, não!
Que tombe do lado dos bandidos, mesmo! E a polícia não se acovarda, não, a
gente está partindo para cima mesmo!”.
Os recentes massacres, como o de Canabrava, foram premeditados, portanto!
O Secretário de Polícia, que ainda permanece no cargo, tem que sair
imediatamente! Ele e todos os responsáveis diretos e indiretos por esta
nova “matança dos suspeitos” na “faixa de gaza baiana” (VEJAM OUTROS
NÚMEROS ABAIXO). Uma investigação muito séria deve buscar a Verdade e a
Justiça para Todos estes casos. Indenização e Reparação para as famílias
de vítimas fatais; e também para as vítimas sobreviventes (de balas
acertadas, torturas, prisões e outras humilhações).
Além desta campanha emergencial pela saída imediata do atual Secretário de
Polícia e da busca por Justiça Integral, prepara-se para Agosto deste ano
de 2009 o “I Encontro Nacional Popular pela Vida e por Uma Outra Segurança
Pública” em Salvador-BA. Organizado por vários movimentos e organizações
do país. Precisa ser divulgado, discutido e fortalecido!
Em suma: o genocídio negro virou política explícita de estado. Política e
prática de extermínio sistemático. Um verdadeiro massacre premeditado e
planejado, cotidiano, contra a juventude negra e periférica. E não é no
Paraná ou em Santa Catarina não (que já é grave!), mas na própria Bahia
negra, em plena negra Salvador. A exemplo do que já vem ocorrendo em
outros estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo… Só que na
Bahia tal prática está sendo levada adiante de forma acelerada e celerada,
aos olhos de todos, exatamente por um governo auto-proclamado
“democrático-popular”, um governo chamado de “para todos”… Democracia?
Popular? Para quem?
Trata-se de uma verdadeira Duracracia ou Democradura. Um estado de exceção
permanente. Algo precisa ser feito quando os dados do próprio Governo não
deixam dúvidas quanto à escalada dos últimos anos, que conforma um cenário
de massacre de alta intensidade, unilateral:
NÚMEROS DE ASSASSINATOS EM SALVADOR-BA
ANO HOMICÍDIOS
2003 900
2004 840
2005 923
2006 1223
2007 1665
2008 2189
Fonte: SSP-BA
E os dados, os números – estes que não traduzem uma Dor sequer -, mesmo
eles não param de se multiplicar. Nos primeiros dez dias de 2009 – ano que
ainda não entrou totalmente nas estatísticas -, foram mais de 50
assassinatos, ou mais de dez por dia pela própria contagem oficial. O
grosso das execuções cometidas por agentes da polícia. Exatamente na
ocasião em que, frente ao aumento da violência, o tal Secretário de
Polícia a reiterou dando estas declarações acima e outras similares,
preparando o terreno para novos assassinatos em série levados adiante pelo
poder público.
Agora o massacre de Canabrava… Quais os próximos? Até quando?
Segue abaixo, portanto, dois textos-respostas imediatas à atual situação
emergente, contando-a de outra forma que as contagens oficiais. Eis a
versão dos historicamente oprimidos, que precisa ser publicados e
divulgados em todos meios possíveis!

