Apesar de promessa de comandante do Gpae, policiais voltam a provocar tiroteio e assustam crianças. Comunidade está apreensiva sobre festa de hoje à noite (15/11)
Ontem (14/11), poucas horas antes da manifestação que estava marcada contra os abusos policiais diários na comunidade da Providência, o comandante geral do Policiamento de Áreas Especiais no Rio (a que estão subordinados todos os Gpae) , telefonou para a presidente da Associação dos Moradores da Providência, Vera Melo, prometendo que iria promover uma reunião para tratar das denúncias da comunidade, e que iria se comunicar com o comandante do Gpae da área, capitão Zuma. Em vista disso, a Associação resolveu cancelar a manifestação, embora Vera tenha dado várias entrevistas e reiterado as acusações.
Até cerca de 20:30h, várias pessoas permaneciam na sede da Associação, preparando faixas e cartazes e tratando dos preparativos para a festa que acontecerá hoje (sábado 15/11), em homenagem aos 112 anos da comunidade, a primeira favela da América Latina. Ao mesmo tempo, um parque de diversões montado na localidade chamada Vila Portuária se encontrava cheia de crianças e adultos que as acompanhavam.
Foi então que o próprio Capitão Zuma, acompanhado de muitos policiais, apareceu dizendo que não haveria mais parque e vários tiros começaram a ser disparados. As crianças ficaram apavoradas e os adultos que eram responsáveis por elas e pelo parque igualmente, pois haviam crianças até na roda gigante e não era possível retirá-las rapidamente. Segundo moradores, há marcas de tiros nos brinquedos.
Esse foi mais um tiroteio provocado pela polícia, mais especificamente pelos policiais do Gpae do local, e que têm sido diários. Na quinta-feira um rapaz, de nacionalidade angolana, foi executado, segundo algumas pessoas pessoalmente pelo próprio Zuma. Os tiroteios sempre acontecem quando há grande concentração de crianças na rua, como foi ontem.
A revolta da comunidade está muito grande, denúncias do que aconteceu ontem já foram feitas à imprensa hoje mesmo, e a disposição é realizar uma grande manifestação nos próximos dias, já que as promessas dos superiores ao capitão Zuma não têm servido de nada.
A preocupação imediata é com a festa de logo mais, que será na quadra ao lado da Praça Américo Brum, no alto da comunidade. A festa está mantida mas todos temem que Zuma e o Gpae armem mais uma situação de confronto para impedir a comemoração. Pede-se a presença de imprensa e quem mais puder apoiar na festa, que começará às 20h.
Mais informações com Vera (8100-0091), Luzia (9416-3763) ou na Associação (2223-2829)

