Vítimas de policiais em São Gonçalo mobilizam-se contra a violência e por justiça
O município de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, vizinho de Niterói, tem enfrentado um aumento dos casos de violência nos últimos meses. Grande parte dos mais de 200 homicídios registrados nos últimos seis meses são devidos à atuação das quadrilhas formadas por policiais e ex-policiais que agem em toda a região. Como na Baixada Fluminense, do outro lado da Baía da Guanabara, São Gonçalo (e os municípios vizinhos) tem sido há muitos anos terreno de atuação de grupos de extermínio e outros bandos, em geral formados ou liderados por policiais e ex-policiais, que se ocupam de “segurança” clandestina e outros crimes. Essas quadrilhas freqüentemente lutam uma contra as outras, e uma forma comum de cometerem seus assassinatos é uma dupla de homens numa motocicleta aproximarem-se da vítima, um dos homens acertá-la com vários tiros e o motociclista escapar em alta velocidade. Por isso, o controle do registro de motos é uma das principais reivindicações da população contra a violência.
Diante dessa situação, moradores e vítimas da violência começam a se mobilizar para exigir justiça. O caso que deu origem à mobilização mais forte foi a morte do jovem Oldemar Pablo Escola de Faria, 17 anos, baleado no dia 06/09/2008 por um tenente do Batalhão de Choque da PM (que fica no Rio), Carlos Henrique Figueiredo Pereira. Oldemar morreu em consequência dos ferimentos no dia 14/09/2008, após passar uma semana em coma induzido, e as circunstâncias do crime revoltaram seus familiares e amigos, que fizeram várias denúncias e protestos.
No dia 12/10/2008, para lembrar um mês da morte de Oldemar, seus pais e parentes, junto com muitos jovens seus amigos, organizaram e mobilizaram uma grande manifestação no centro do município. A concentração foi na Praça Zé Garoto, próximo à casa de shows diante da qual Oldemar foi baleado pelo PM. Familiares e amigos de outros casos de violência policial, inclusive uma senhora cujo filho, estudante de 14 anos, havia sido assassinado há dois dias por policiais do Batalhão de Alcântara (7o BPM) na favela Menino Jesus, quando voltava da escola. Também familiares de casos do Rio de Janeiro e membros da Rede contra a Violência estavam presentes. Deve-se registrar a numerosa presença de jovens e de um senhor representando uma federação de motociclistas, que estava demonstrando seu repúdio ao uso de motocicletas para se cometer assassinatos.
Com apoio de um carro de som, e portanto faixas, camisetas com fotos das vítimas, bandeirinhas brancas e braceletes negros, os manifestantes caminharam sob sol forte até o Clube Mauá (tradicional local de bailes e shows muito frequentados pela juventude), passando diante da prefeitura e da Igreja Matriz. As declarações mais emocionadas foram dos familiares das vítimas, inclusive o Sr. Adilson, taxista e pai de Oldemar, que disse que não há paz se não houver justiça. Um rapaz de cerca de 12 anos cantou um rap em homenagem a seu amigo Oldemar. Os jovens concluíram a caminhada lançando as bandeiras brancas ao chão, formando um círculo e gritando por justiça.
Os pais, parentes e amigos de Oldemar continuam se mobilizando para lutar por justiça, em primeiro lugar para que o inquérito seja conduzido com lisura e isenção, e para que o tenente, que se encontra preso, seja levado a julgamento e condenado por homicídio. Eles afirmaram estar preocupados com algum tipo de manipulação e corporativismo, como o que aconteceu no recente julgamento do policial que atirou no jovem Daniel Duque, causando sua morte, em frente a uma boate em Ipanema no dia 28/06/2008. O policial militar foi absolvido pelo júri popular no dia 07/10/2008, depois que o próprio Ministério Público pediu a absolvição.
Outras fotos no Centro de Mídia Independente
Mais informações com Adilson Faria, pai de Oldemar, no telefone 2712-0266.
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