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2007-06-06

Juliano Rodrigues de Lima - Jacarezinho

No dia 06/06/2007 uma grande operação, reunindo cerca de 30 PMs do 3º BPM e policiais civis encapuzados, começou por volta das 6:30h na favela do Jacarezinho. Os policiais foram transportados para dentro da comunidade em blindados (caveirões), e a maioria ficou ao longo da Rua Amaro Rangel. Segundo testemunhas que não quiseram identificar-se, vários policiais afirmaram que haviam vindo pegar o “arrego” (propina), e, como não conseguiram, iam fazer “alguma coisa”. De fato, por volta das 10h começaram a abordar e prender jovens e levá-los para duas casas, uma na Rua Santos Dumont e outra na Rua Piraúba, em meio a tiros que assustavam os moradores.

Juliano Rodrigues de Lima era estudante e treinava futebol no clube Olaria. Chegava da escola (no seu caderno, apresentado por seu irmão, consta a última anotação de aula precisamente no dia 06/06) na favela, onde morava na rua Vieira Fazenda, quando foi abordado e levado por policiais para a casa da Rua Piraúba, onde, segundo testemunhas, já haviam outros 5 jovens. Dois jovens, por sua vez, foram levados para a casa da Rua Santos Dumont.

Diversos moradores relataram a mesma versão dos fatos: os policiais falavam o nome dos jovens detidos e falavam para que as famílias fossem chamadas. A avó de Juliano, bastante idosa, soube que ele estava entre os jovens aprisionados (cárcere privado), mas não quis sair de casa apavorada com tantos tiros. Nenhum outro parente de Juliano encontrava-se na Favela no momento.

Na verdade, a avó de Juliano apenas deixou de assistir a cena macabra vista por outros familiares, que foram chamados apenas para testemunharem a execução dos rapazes pelos policiais. Por volta das 13h todos os oito jovens já estavam mortos e seus corpos haviam sido levados ao Hospital Salgado Filho. Foi aí que o pai de Juliano, Sr. Josias Pinheiro de Lima, que chegara pouco depois ao Jacarezinho, reconheceu o corpo do filho.

Diante da brutalidade e frieza das execuções, nenhum dos familiares (com exceção do Sr. Josias) ou moradores que assistiram ao fato sentem-se seguros para testemunhar. Já o Sr. Josias prestou depoimento na 25ª DP, mas não lhe deixaram cópia.

Essa chacina, entretanto, motivou a mobilização da comunidade, que começou com uma grande passeata no dia 18/06/2007" pela Avenida Suburbana, que reuniu mais de mil pessoas mas foi muito mal coberta e divulgada pela grande imprensa. A mobilização continuou, motivada por outros casos que se sucederam, como o da morte de Leandro Silva Davi, (16 anos, outro que treinava futebol, no caso no clube São Cristóvão), dentro de casa no dia 11/07, e os assassinatos de Elisângela, Lincoln e Fábio em 15/08, que culminou com o encontro com o subprocurador-geral de direitos humanos do Ministério Público Estadual, Leonardo Chaves, dentro da comunidade, no dia 29/08/2007, no qual foram apresentados esses e vários outros casos de abusos policiais e execuções sumárias.

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