Sob tensão e ameaças, acontece amanhã (09/03) a primeira audiência sobre o assassinato de Josenildo dos Santos (Morro da Coroa)
No dia 02/04/2009, uma violenta ação do 1o BPM no Morro da Coroa (Catumbi), levou `morte de 6 pessoas, inclusive o eletricista e lanterneiro Josenildo dos Santos, de 42 anos. Todas mortes foram registradas pelos policiais como “autos de resistência”, e todos foram acusados de ser traficantes, inclusive Josenildo, conhecido como Téo, trabalhador conhecido e querido em toda a comunidade.
Segundo testemunhas, no dia da chacina, após uma incursão mais cedo, alguns policiais permaneceriam escondidos e encapuzados, à espera de encontrar traficantes, num beco da favela que levava a um bar. Os policiais impediram a circulação dos moradores, e, numa clara ação de emboscada, atiraram indiscrimidamente na direção de vários jovens, mesmo sem ter havido confronto, segundo moradores. Josenildo, que passava neste momento, foi parado e levou um tiro em um de seus joelhos. Tentou, em vão, identificar-se dizendo que acabar de voltar do trabalho, e chegou a levantar as mãos para mostrar que estava sujo do trabalho na horta comunitária. Neste instante, já no chão, os policiais o executaram com um tiro na cabeça. As marcas de tiros no local atestaram não só a inexistência de confronto como os tiros de execução em direção ao solo. Ao que parece, a morte de Josenildo foi sido motivada pelo fato de que, ao descer para ir ao tal bar, testemunhou os policiais matando as outras pessoas.
2010-03-03
Source: Familiares de Gisela Andrade
Divulguem por todos os meios - Gisela, desaparecida na Maré no dia 25/02 quando saía da escola, ainda não foi encontrada
Os familiares e amigos de Gisela André estão desesperados com a falta de notícias e informações. Reproduzam e divulguem o cartaz em anexo o máximo que puderem.
Os casos de crianças desaparecidas, quase sempre em bairros pobres, têm crescido muito nos últimos anos no Rio de Janeiro.
2010-03-02
Source: OCUPAÇÃO NOVA PALMARES
OCUPAÇÃO NOVA PALMARES
Se morar é um direito, Ocupar é um dever!
No dia 19 de fevereiro, cerca de 40 famílias conquistaram seu direito à moradia ao ocupar imóvel na Rua Albertino Araújo, nº99, próximo ao viaduto da Penha. O imóvel era um hospital privado que fora abandonado pelos proprietários após falência. Os ex-funcionários não receberam seus direitos trabalhistas e ocuparam um dos prédios há 3 anos atrás. O outro prédio localizado no mesmo terreno continuou vazio, se transformando em ruína sem que o poder público desapropriasse para obrigar que a terra urbana cumpra uma função social, como está previsto na Constituição. Enquanto isso, 270.000 pessoas não têm onde morar na cidade do Rio de Janeiro.
A solução para a falta de moradia encontrou uma resposta na organização popular. O povo tem a força, precisa descobri-la. Descobriu, se uniu e rompeu os muros do abandono para construir sua casa.
2010-02-28
Source: Rapper Fiell
Relato de um morador e militante do Hip Hop do Santa Marta, sobre mais uma arbitrariedade da UPP na favela
Policia Pacificadora (ou) Opressora?
Rio de janeiro-26/02/2010.
- De sexta para sábado horário: 3:h. local-Bar do Zé baixinho.
- Rua Cabo Jose, Morro Santa Marta-RJ.
Como já de rotina semanal o bar do Zé Baixinho é tipo uma saída para os jovens e adultos se diverti. Toda sexta feira acontece um evento chamado de “SWING” na verdade é musica do gênero PAGODE.
90% do publico são moradores da comunidade do Santa Marta por isso nós conhecemos todos, já que também somos moradores ( FIELL/ZÉ BAIXINHO/MARCIA).
Nessa ultima edição que já faz mais de um ano, as 3hs chegaram uns (7) Pms de forma arrogante. Três policiais adentraram o estabelecimento de fuzis em punho. “O BAR ESTAM CHEIO DE JOVENS MORADORES DO SANTA MARTA”, ao perceber os Pms fui saber o que estava acontecendo.
PM diz (- Seguintes vocês têm que desligar o som, pois os vizinhos estão ligando e reclamando de barulho).
Fiell responde (- Olha só podemos baixar o som e continuarmos se divertindo sem problema nenhum).
Outro PM diz para Márcia “Universitária” Esposa do Fiell (-Desliga a porra do som, tu acha que queríamos estar aqui nessa porra, estávamos dormindo, quando fomos chamados).
Márcia responde (Olha vocês estão aqui para servi e proteger, então por favor exijo mais respeito comigo, por que você esta xingando).
PM diz ( Fiell ou você desliga o som agora ou vou ter que lhe algemar e lhe conduzir a delegacia).
Então achei melhor desligar já que naquele momento todos os setes Pms estavam na minha frente mim hostilizando.
A policia pacificadora em nenhum momento foi flexível, e a toda hora xigando e ameaçando.
2010-02-25
Source: Grupo contra Violência e Violação de DD HH . BAURU-SP
Ministério Público muda acusação de policiais que mataram Jorginho (Bauru) para homicídio culposo, familiares e movimentos convocam protesto
O mecânico Jorge Luiz Lourenço, o Jorginho, 22 anos, foi morto no dia 5 de abril de 2007, depois de evadir-se de uma ação rotineira de fiscalização da polícia, ao voltar do trabalho. Na perseguição policial, foi baleado na cabeça, em um matagal, no Núcleo Habitacional Mary Dota. Os três policiais militares envolvidos na ação foram demitidos da corporação e ainda respondem processo na Justiça. A família espera agora o julgamento e condenação dos acusados. Porém, recentemente, o Procurador responsável pelo caso de Jorginho sugeriu a desqualificação do caso de DOLOSO para CULPOSO, ou seja, sem a intenção de matar.
2010-02-25
Moradores do Morro da Coroa e familiares de Josenildo dos Santos denunciam violências e ameaças de policiais militares. Primeira audiência do caso Josenildo será no dia 9 de março.
No dia 08/02/2010, policiais militares do 1o BPM realizaram uma violenta “operação” no Morro da Coroa, Catumbi. Dois jovens foram mortos, ao que tudo indica executados, moradoras e moradores agredidos e ofendidos, casas violadas. Foi a mais violenta ação policial na comunidade desde a chacina de 02/04/2009, quando 6 pessoas foram mortas, inclusive o eletricista e lanterneiro Josenildo dos Santos, de 42 anos, o que gerou grande mobilização de seus parentes e amigos, o que levou à denúncia de 4 PMs (Vagner Barbosa Santana, Carlos Eduardo Virgínio dos Santos, Jubson Alencar Cruz Souza e Leonardo José de Jesus Gomes) por homicídio.
Essa vitória da família de Josenildo e da comunidade parece ter irritado os policiais do 1o BPM. Na dita “operação” de 08/02, dois parentes de Josenildo, um primo e a irmã, Maristela Aparecida dos Santos, foram diretamente ameaçados pelos policiais. O primo, quando se encontrava próximo à casa de Maristela, foi abordado por um PM que apontou uma arma para seu rosto e perguntou se ele era parente de Josenildo. Quando ele respondeu que sim, o policial falou para que ele fosse embora dali se não “poderia tomar um tiro na cara”.
Maristela estava em casa pouco antes das 17h quando ouviu pancadas violentas na porta. Ao abri-la viu vários PMs fardados, com a identificação oculta, que entraram na casa revirando tudo e forçando portas, dizendo que “procuravam bandidos”. Depois de saírem de sua casa continuaram a aterrorizar o beco com ofensas e abordagens grosseiras, e passaram a tentar arrombar a casa de seu vizinho, Vitor de Oliveira Reis. Como a porta era resistente, quebraram um dos painéis dela e pelo buraco começaram a apontar os fuzis e ameaçar jogar uma granada. Vitor, muito assustado, aproximou-se da porta e foi puxado com violência para fora. Espancando-o e acusando-o de ser traficante, os policiais levaram-no para outra casa. Neste momento, Maristela, da janela, interveio preocupada com o que fariam com o rapaz, e um PM a xingou e apontou a arma para ela. Maristela conseguiu reconhecer que um dos policiais que participava dessas ações de agressão e intimidação havia participado da morte de seu irmão em 2009.
2010-02-11
Source: Jacarezinho pela Paz
PM (3o Batalhão) sitiou a favela do Jacarezinho e já matou pelos menos 5 pessoas em menos de 2 horas
Recebemos agora há pouco a informação do Movimento Jacarezinho pela Paz que uma incursão extremamente violenta da Polícia Militar está acontecendo na comunidade. Há cerca de duas horas, um grupo do 3o BPM, com apoio de um blindado Caveirão, entrou repentinamente pela Avenida Suburbana, a mais movimentada de todas as entradas da favela, e mandou todas as lojas e inclusive a Região Administrativa fecharem. Moradores estão sendo ofendidos, ameaçados e mandados para casa, inclusive crianças. O largo dos Tubas, a Praça da Concórdia e várias outras ruas estão bloqueadas e ninguém pode passar. Como a entrada da Suburbana também continua bloqueada pela polícia, há mais de duas horas moradores não conseguem entrar nem sair da favela.
Embora ninguém tenha escutado troca intensa de tiros, o que indicaria reação de traficantes, até agora já estão confirmadas 5 mortes e 2 feridos, todos próximos à linha do trem, pouco depois da entrada da Suburbana. Os policiais dizem abertamente para todos ouvirem que “vieram para matar” e “já derrubaram 13”. A comunidade está apavorada, mas uma parte dos moradores está revoltada e disposta a enfrentar os policiais, o que poderá resultar numa tragédia ainda maior, se não houver intervenção da imprensa, de organizações defensoras dos direitos humanos e outros órgãos.
Mais informações com o Jacarezinho pela Paz (jacarezinhopedepaz@hotmail.com) ou com a Associação de Moradores (o presidente atual é Serginho, e o telefone da Associação é 2228-6643).
2010-02-09
Source: Site Vi o Mundo
PM USA CASSETETE E GÁS PIMENTA CONTRA MANIFESTANTES (SP)
por Conceição Lemes
Moradores da região do Pantanal reuniram-se hoje às 14hs em frente à Prefeitura de São Paulo para protestar contra o descaso do poder público em relação às inundações. Afinal, há 60 dias estão vivendo com casas e ruas alagadas. Segundo a PM, eram 200 manifestantes; para representantes de movimentos populares, cerca de 400.
“Uma grade separava os manifestantes da sede da Prefeitura. Como havia uma brecha, as pessoas foram entrando. A PM, para aumentar a área de proteção do prédio , resolveu fechá-la e empurrar a grade, para afastar mais os manifestantes”, relata o jornalista Leonardo Fuhrmann. “As pessoas já estavam recuando. Aí, começou uma discussão tremenda. A PM partiu para a porrada: desceu o cassetete e lançou spray de gás pimenta a torto e a direito.”
“De repente a PM partiu com tudo para cima da gente”, reforça a historiadora e blogueira Conceição Oliveira. “O povo totalmente desarmado. No meio havia crianças, idosos. Foi uma verdadeira barbárie. Uma prova de que o poder público está devendo mesmo.”
2010-02-09
Mortes e medo no Morro da Coroa
Ontem, dia 08 de fevereiro de 2010, no Morro da Coroa, no bairro do Catumbi, a polícia militar do Rio de Janeiro fez mais uma demonstração de como sua forma de atuação NÃO mudou, apesar do discurso que pretende legitimar a farsa das Unidades de Polícia Pacificadora: matou, agrediu, humilhou e roubou. Funcionando como mais uma facção criminosa, levou medo e terror através de uma incursão marcada pela obscuridade.
2010-02-09
Protesto e repressão no Pavão-Pavãozinho revela revolta com arbítrio das UPPs
Na madrugada do dia 08/02, moradores da favela Pavão-Pavãozinho (Copacabana, juntamente com o Cantagalo as últimas a serem ocupadas por Unidades de Polícia Pacificadora no Rio) revoltaram-se e protestaram contra a truculência da PM "comunitária". Indignados com a arbitrária interrupção de uma festa e com a agressão contra um morador, apenado que cumpre condicional, moradoras e moradores ergueram barricadas, enfrentaram os tiros da polícia e ainda continuaram o protesto na 13a DP (Ipanema).
A limitação absurda de atividades festivas e culturais tem sido uma das principais reclamações de moradores nas favelas ocupadas pelas UPPs, principalmente as da Zona Sul (quase todas, portanto). Até festas de aniversário têm que ter autorização da PM para serem realizadas. No Cantagalo, já ouvimos denúncias de que a PM proíbe os jovens de usarem cabelos tingidos ou com determinado corte. Essa repressão, por sua vez, não significa ausência de corrupção. No complexo Babilônia-Chapeú Mangueira, há denúncias de que a repressão às festas é diferenciada em cada favela, devido aos diferentes valores de propinas pagas ao comando da UPP pelos traficantes de cada uma (que continuam por lá, embora não mais exibindo suas armas nem vendendo drogas tão ostensivamente quanto antes).
A presença permanente da PM através das UPPs inibe as denúncias públicas de tudo isso: moradoras e moradores têm muito medo de denunciar policiais que encontram todos os dias literalmente nas portas de suas casas. Protestos como o de hoje de madrugada, portanto, são muitas vezes a única forma de manifestarem sua insatisfação, que obviamente não aparece na publicidade oficial do governo.
2010-02-08
Operação da PM no Morro da Coroa mata pelo menos dois jovens, invade casas e faz ameaças a moradores
Desde o final da tarde, recebemos denúncias de que policiais militares, divididos em diversos grupos, estavam invadindo violentamente casas em diversos pontos da favela da Coroa (Catumbi). Aparentemente, o Bope também participou da operação. Dois jovens foram baleados, aparentemente depois de detidos por policiais. Os PMs não demonstraram nenhuma pressa em remover os baleados para um hospital, muito pelo contrário, ficaram circulando com eles pelo morro, de modo que vieram a falecer.
Um terceiro jovem quase teve o mesmo destino, mas parentes e vizinhos chegaram a tempo para salvá-lo. Os policiais irritaram-se com as reclamações e intervenções dos moradores, e passaram a ameaçá-los. Um parente de Josenildo dos Santos, assassinado, junto com mais quatro pessoas, pela polícia em 02/04/2009, foi ameaçado diretamente por um policial: “Quer que eu te mate também?”
Militantes da Rede foram à comunidade assim que recebemos as denúncias, e acompanharam moradores que quiseram apresentar queixa na 6a DP.
2010-01-18
Source: Deley de Acari
AÇÕES TEMERÁRIAS DE VEICULOS BLINDADOS EM ACARI
Na 3º feira, 12 de Janeiro a noite, por volta de 21:00h policiais militares do 09º BPM que ocupavam o veiculo blindado conhecido comocaveirão Nº 51 0016 do mesmo 09BPM, invadiram a comunidade pelo Armarelinho atirando quando havia centenas de pessoas, principalmente mulheres e crianças nas ruas por causa de um calor infernal pois parte da comunidade tem ficado sem luz e sem água a noite, obrigando os moradores ficarem até 02, 03 da madrugada em busca de ar fresco.
E no ultimo sábado, dia 16 de Janeiro um veiculo blindado nº 51 0010do 09º BPM circulando a favela desde ás 06:30h da manhã. Ás 08:00h quando acompanhava minha irmã até próximo a igreja que ela freqüenta um policial militar saiu de dentro do veiculo blindado atirando num suposto bandido que esta a mais de 100 metros atrás de nós dois, de forma irresponsável e temerária, quase nos atingindo e outras pessoas que a esta hora da manhã, saem pra comprar pão e jornal.
Depois os mesmos policiais militares permaneceram na comunidade invadindo casas de moradores e ocultando nas lajes para campanar supostos marginais que por ventura passassem armados na rua, pondo assim e risco de morte os moradores das casas diante do risco de haver troca de tiros.
2010-01-07
José Luís, pai do pequeno Maicon, solicita colaboração dos companheir@s
José Luís, como todos conhecem, tornou-se conhecido a partir de uma tragédia: o assassinato de seu filho, Maicon (de apenas dois anos e meio), em 1996, por policiais militares, na favela de Acari no Rio de Janeiro. Para muitos, poderia significar a pior maneira de se tornar uma pessoa pública, não fosse a opção feita por José Luís: lutar por justiça. Desde o assassinato do pequeno Maicon até hoje, Zé, como seus amigos e companheiros o chamam, é um incansável lutador pelo respeito e garantia aos direitos humanos, especialmente dos moradores de favelas. O longo calvário percorrido por ele entre delegacias, Tribunal de Justiça, Ministério Público e outras instituições públicas o fez conhecer muitos outros familiares que passaram pelo o que ele passou. Deste encontro, cuja dor era o elo inicial, pode verificar duas coisas: mais pessoas sentiram o que ele sentir e estão exigindo, como ele, justiça. Neste momento, percebeu que apenas a união dessas pessoas poderia modificar alguma coisa. Começou a participar de reuniões, atos e protestos públicos e passou a integrar a Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência, movimento social formado basicamente por familiares que tiveram uma trajetória parecida com a dele.
Em 2010, o assassinato de seu filho completará 14 anos. Apesar de os policiais envolvidos não terem sido presos, apesar das inúmeras ameaças sofridas por Zé (inclusive com tentativas de invasão à sua casa por parte de policiais), algumas conquistas foram obtidas, como a vitória no caso do processo civil, embora o Estado até hoje não tenha feito a reparação financeira. Mas, não é isso que mais importa à Zé, que continua exigindo que se faça justiça e que o Estado seja responsabilizado pela morte de seu filho.
Neste sentido, Zé continuará protestando. Por isso, gostaria de contar com a colaboração de todos os amigos. Há algum tempo, Zé teve a ideia de fazer uma estátua de seu filho, que seria feita a partir de capsulas de balas recolhidas em Acari, cujos moradores vivem a sistemática violação de direitos humanos. Entretanto, o empreendimento como este tem um custo. Como muitos sabem, neste período em que passou a integrar a luta por justiça, Zé se transformou em um artista, e passou a pintar diversos quadros, quase sempre com a temática de sua vida cotidiana de morador de favela. São estes quadros que servirão para financiar o objetivo de Zé.
2009-12-16
Transcarioca removerá comunidade em Jacarepaguá
A prefeitura editou ontem o decreto nº 31567 que permitirá a desapropriação de mais de três mil imóveis entre a Penha e a Barra da Tijuca para a construção do Corredor T5 ou Transcarioca. Esta é uma das principais intervenções urbanísticas que ocorrerá para preparar a cidade para os Jogos Olímpicos de 2016. De acordo com o secretário de obras, a lista dos imóveis a serem derrubados ainda pode aumentar, já que, segundo ele, não estão incluídas muitas das comunidades que ficam no trajeto deste megaempreendimento. Contudo, pela lista informada pela prefeitura há sim comunidades.
2009-12-15
Condenação do ex-PM Fabiano em Itaguaí, mais uma vitória da luta popular por justiça
No Dia Internacional dos Direitos Humanos do ano passado (10/12/2008), o sistema judiciário do Rio de Janeiro deu duas demonstrações cruéis de como contribui com a violência do Estado contra o povo. Em júri popular, foi absolvido o policial militar William de Paula, acusado do assassinato do menino João Roberto (3 anos), na Tijuca, em julho de 2008. Em outro julgamento, os policiais acusados da execução dos jovens moradores da favela de Acari, Lindomar e Rafael, em dezembro de 2005, foram postos em liberdade por decisão do juiz após mais um adiamento do caso. Um dos policiais já havia sido condenado mas seu julgamento foi anulado por decisão de desembargadores.
Parecia que, neste ano, a história iria se repetir. No dia 10/12/2009 estava marcado o júri popular do ex-PM Fabiano Gonçalves Lopes, acusado do assassinato de Flávio Mendes Pontes, em março de 2004 em Itaguaí. Fabiano e seu colega José Augusto Moreira Felipe (ambos condenados por sua participação na chacina da Baixada em 2005 – Felipe por homicídio e Fabiano apenas por formação de quadrilha) foram acusados da execução de Flávio um anos antes da chacina em Nova Iguaçu e Queimados. O caso arrastou-se com vários problemas e irregularidades, e só em junho de 2008 aconteceu o primeiro julgamento, no qual Felipe (então já cumprindo pena pelo crime na Baixada), que foi absolvido pelo júri popular.
2009-12-15
Protesto em frente ao Tribunal de Justiça contra o extermínio promovido pelo Estado
A Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência e familiares de vítimas da violência do Estado protestaram no último dia 10/12, Dia Internacional dos Direitos Humanos, por cerca de oito horas, em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na Avenida Antônio Carlos. A manifestação foi parte de uma mobilização que também aconteceu em três outras cidades do país, organizada por movimentos que vivem diretamente a realidade de opressão e genocídio que um Estado capitalista e racista impõe à maioria pobre e negra da população brasileira.
Uma ampla exposição de faixas, painéis e cartazes chamava a atenção da população, e mais especificamente do público que freqüenta o Fórum, alvo principal da manifestação. Através de um carro de som, familiares de vítimas, moradores de favelas e militantes falavam de sua dor e sua luta, atraindo olhares admirados de um público acostumado ao silêncio, à hipocrisia e ao medo quando se trata de denunciar a violência do Estado. Praticamente nenhuma cópia das mais de 3 mil do Manifesto que foram distribuídas, podia ser encontrada no chão.
Bonecos em tamanho real simbolizavam as vítimas do Estado e cruzes as mortes que se acumulam enquanto todas as esferas do Estado contribuem para as chacinas.
Vejam alguns vídeos do protesto:
Flávia protesta e fala da execução de seu irmão, Maxwill de Souza dos Santos, em 24/05/2009: http://www.youtube.com/watch?v=g8FBc0pYD-w
Circulando pela manifestação: http://www.youtube.com/watch?v=wzYJubR8uvI
Faixas e cruzes expostas: http://www.youtube.com/watch?v=fOp7rVXsXug
Vejam mais fotos no Centro de Mídia Independente
2009-12-14
Operação da PM e da polícia civil assusta moradores em Acari
Desde hoje (14/12) cedo uma operação reunindo o 9o BPM e a Polícia Civil têm mantido em estado de apreensão os moradores da favela de Acari, zona Norte do Rio. Mais cedo, moradores que saíam para trabalhar depararam-se com policiais que mandaram aos gritos todos voltarem para dentro da favela e de suas casas. Há menos de uma hora atrás, moradores que não querem se identificar por temerem represálias denunciaram que várias casas estão sendo invadidas na Rua da União, próximo à Praça Roberto Carlos. Pelo menos um caveirão e um “caveirinha” (veículo blindado menor) participam da operação.
A operação talvez tenha alguma relação com uma incursão da polícia civil ontem à noite, quando houve confronto armado entre os policiais e traficantes próximo à quadra do Favo de Acari. Os moradores estão apreensivos, devido às inúmeras violações e arbitrariedades cometidas nos últimos meses em operações policiais, conforme já foi denunciado mais de uma vez pela Rede.
2009-12-08
Novo Julgamento dos agentes penitenciários acusados de matarem Ricardo Iberê Gilson
No dia 9 de dezembro, as 09:30h no II Tribunal de Júri acontece o julgamento dos responsáveis pela morte de Ricardo Iberê Gilson, há dez anos e sete meses. Ricardo tinha 22 anos e morreu no dia 4 de abril de 1999 no antigo Hospital Penal Fábio Soares Maciel, no complexo da Frei Caneca, com fortes marcas de tortura. Desde então, sua mãe, Carmen Gilson, luta por justiça.
O Ministério Público denunciou José Nivaldo de Melo, Jorge José Rigueira da Paixão, Estáquio Cirino de Souza, agentes penitenciários, e Cali Galiasso Barboza, médica responsável pelo atendimento de Ricardo, por homicídio qualificado. Apenas seis anos depois do crime, em maio de 2005, a denúncia foi aceita. Segundo o auto de exame cadavérico, Ricardo sofreu lesões corporais generalizadas, características de tortura, que resultaram em morte por asfixia mecânica por constrição do pescoço.
Recentemente, em outubro de 2008, a defesa pediu novas diligências e, dessa forma, o processo se arrasta. Organizações de direitos humanos afirmaram que tais diligências haviam sido feitas como artifício para protelar o julgamento, que finalmente acontece amanhã.
O julgamento, que estava marcado inicialmente para ocorrer no dia 11 de novembro, seria adiado pelo juiz. Como testemunhas dos réus faltaram (das oito previstas, apenas quatro teriam aparecido) o promotor do caso solicitou o adiamento por considerar que algumas pessoas, segundo ele importantes, deveriam ser ouvidas. Dentre estas, o delegado que realizou as investigações quando da morte de Ricardo.
2009-12-08
Sob medo das testemunhas e muitas irregularidades no processo, policial condenado pela Chacina da Baixada vai a novo julgamento por homicídio
Está marcado para o próximo dia 10/12 (quinta-feira) o julgamento do ex-PM Fabiano Gonçalves Lopes (às 1oh no Fórum de Itaguaí – Rua Gal. Bocaiúva, 424 – Centro)., acusado do assassinato de Flávio Mendes Pontes, em março de 2004 em Itaguaí. Fabiano e seu colega José Augusto Moreira Felipe (ambos condenados por sua participação na chacina da Baixada em 2005 – Felipe por homicídio e Fabiano apenas por formação de quadrilha) foram acusados da execução de Flávio em março de 2004 (um anos antes da chacina em Nova Iguaçu e Queimados). O caso arrastou-se com vários problemas e irregularidades, e só em junho de 2008 aconteceu o primeiro julgamento, de Felipe (então já cumprindo pena pelo crime na Baixada), que foi absolvido pelo júri popular. A mãe de Flávio, Joana D’Arc Mendes, que foi até mesmo incluída no programa de proteção às testemunhas, ficou muito insatisfeita com a atuação do Ministério Público no caso e procurou a Defensoria Pública para atuar como assistente de acusação.
2009-11-30
Favela de Acari sofre com desrespeito e violência policial e se mobiliza pelos Direitos Humanos
As “operações” policiais do 9o BPM, Delegacia de Combate às Drogas (Decod), Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), entre outras, têm sido praticamente diárias e muito violentas há cerca de um mês. O desrespeito e as ofensas que normalmente acompanham as operações policiais em favelas tem atingido níveis absurdos em Acari. Sempre com o pretexto de “combate ao tráfico de drogas” e, mais particularmente, de “evitar uma guerra entre o tráfico de Acari e da Pedreira”, as operações tem servido muito mais, na verdade, para um aumento das extorsões cometidas por policiais, através de seqüestros, ameaças, agressões e execuções. Essa ação irresponsável e corrupta, como não podia deixar de ser, atinge a comunidade como um todo, pois se multiplicam os casos de invasões de domicílios (em muitas delas, após a saída dos policiais das casas, moradores verificaram o sumiço ou destruição de eletrodomésticos e outros bens), tiroteios em horários de entrada e saída das crianças da escola, etc.
Essas e outras foram as denúncias apresentadas por moradoras e moradores em reunião na comunidade realizada no dia 25/11. Além da Associação de Moradores do Amarelinho e organizações locais, estavam presentes a Rede, a Justiça Global, o DDH, o Cebraspo, o MNU (Movimento Negro Unificado), o MPF (Movimento Popular de Favelas) e a Comissão de Direitos Humanos da Alerj. Após reunirem-se na Sociedade São Dimas/Pastoral Penal, o grupo caminhou por parte da favela ouvindo novas denúncias de morador(e)s e foi até a creche Zilka Salaberry, onde se reuniu com a diretora, professoras, funcionárias, e mais a Associação de Moradores do Parque Acari/Vila Rica. Aí fomos informados do constante perigo a que estão submetidas as crianças, pais e mães e trabalhadoras das creches e escolas da comunidade, devido às operações policiais.
