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2008-03-04

Contra os ataques genocidas do estado de Israel ao povo palestino

Contra os ataques genocidas do estado de Israel ao povo palestino!
Solidariedade internacional contra a opressão global!

Companheiras e companheiros da Palestina, companheiras e companheiros solidários à luta do povo palestino:

Temos acompanhado com tristeza e revolta os últimos ataques perpetrados pelo estado de Israel ao povo palestino, principalmente na Faixa de Gaza. Mais de uma centena de pessoas, inclusive muitas crianças, foram assassinados na ofensiva militar, enquanto boa parte do mundo se cala diante de mais essa agressão criminosa e genocida contra a luta de libertação dos palestinos.

Somos uma Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência que atua no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, que tem mais de 10 milhões de habitantes, 25% dos quais vive em favelas, loteamentos clandestinos, prédios e terrenos ocupados, sob viadutos e marquises de sedes de grandes lojas e instituições financeiras nacionais e multinacionais. A maior parte dessa população pobre é descendente de africanos escravizados, ou indígenas que tiveram suas terras ocupadas pelo colonizador europeu. Assim como vossas terras foram ocupadas pelos colonizadores britânicos e depois pelos sionistas.

Gaza - Latuff


Source: Latuff

A Palestina fica a mais de 7.600 quilômetros de nossa cidade. Mesmo com toda essa distância, quando assistimos aqui a vídeos sobre Gaza ou sobre os campos de refugiados, imediatamente percebemos o quanto são parecidos com nossas favelas e periferias. As mesmas crianças tomando as ruas e becos com suas brincadeiras improvisadas, em meio a esgoto a céu aberto e ruínas. As mesmas pessoas falando alto e animadamente. O mesmo esforço em sobreviver e ser feliz em meio à pobreza. Mas, também, a mesma violência e o terrorismo de Estado executado por forças policiais e militares sobre nossas comunidades, em particular sobre nossa juventude.

No Brasil, só conseguimos ter acesso às verdadeiras notícias do massacre que forças de segurança israelenses vêm perpetrando contra os palestinos, com mais detalhes e sem distorções, através da mídia independente que não tem compromisso com as grandes corporações mundiais da comunicação, aliadas da comunidade de informações sionistas. Através desses meios alternativos, soubemos, por exemplo, dos assassinatos de crianças palestinas, em grande parte meninas, cometidas pelas forças israelenses. Isso nos tocou profundamente, porque também aqui no Rio a polícia tem atirado e matado crianças de 8, 10 e até de 2 anos.

Essas mortes e esse massacre tem mais em comum do que parece à primeira vista. A polícia estadual do Rio de Janeiro, e a guarda municipal da cidade, vêm recebendo “treinamento especial” de militares e policiais israelenses. O governo de Lula, presidente do Brasil, também fez convênio com o Estado de Israel para que o Mossad treine os serviços de inteligência e os policiais da Força de Segurança Nacional. As alianças se repetem com o principal ponto de apoio de Israel no mundo, o Estado norte-americano. O atual governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral, está fazendo um acordo com o FBI para treinar os seus policiais civis e militares. Não é por coincidência portanto que os métodos de massacre e infanticídio usado por soldados de Israel contra o povo palestino sejam tão semelhantes aos usados pela polícia brasileira contra nossa população pobre, nossas crianças e nosso jovens.

Eles têm algo em comum contra a nossa gente palestina e brasileira: A intenção racista da criminalizar a juventude não branca e pobre das periferias do mundo. Seja nas banlieues de Paris, seja nos bairros de imigrantes na Alemanha, seja em Londres, onde foi assassinado por policiais o brasileiro Jean Charles por “suspeita de terrorismo”, seja na terra palestina ocupada pelo Estado sionista. Como nossas crianças e nossos jovens significam o futuro e a esperança de liberdade para nossos povos, por conseqüência significam também uma ameaça para sua intenções de opressão, domínio e exploração.

Nesse objetivo perverso, a linguagem utilizada para estimular e justificar o genocídio também tem sido cada vez mais parecida em todo o mundo. Chamam nossos jovens de criminosos e terroristas, nossas comunidades de antros de terroristas. No ano passado, uma grande concentração de favelas na Zona Norte do Rio, o Complexo do Alemão, foi alvo de uma operação policial de vários meses, que fez mais de 50 vítimas fatais e cerca de uma centena de feridos a bala entre moradores. O governador Sérgio Cabral declarou que a operação era necessária porque a favela seria um foco de terroristas e pessoas do mal. São as mesmas palavras que o ocupador sionista utiliza contra os jovens e as comunidades palestinas.

Há poucos dias, o vice-ministro da Defesa de Israel, Matan Vilnai, ameaçou com um shoah (holocausto) o povo palestino, mostrando o quanto os sionistas já incorporaram a mentalidade dos nazistas que tanto sofrimento causaram ao povo judeu. Também aqui, o governador Sérgio Cabral, em outubro do ano passado, revelou sua mentalidade fascista diante das favelas, ao defender o aborto para as mulheres de nossas comunidades como forma de combate à criminalidade. Segundo suas palavras, a favela é uma fábrica de produzir marginal.

Mas, apesar dos ataques e das mortes, e das mentiras dos Estados opressores, nossa esperança sobrevive porque há resistência. A luta de vocês palestinos, que resistem de todas formas e há tanto tempo, nos serve como estímulo porque mostra que, mesmo contra a mais cruel opressão, temos como lutar, resistir, sobreviver e preparar o caminho da libertação. Nossa luta aqui ainda não está tão organizada e forte como a de vocês. As maiores semelhanças ainda são no sofrimento. Quando vemos na televisão, as manifestações palestinas logo após os bombardeios e invasões de soldados sionistas, o que mais identificamos com nossa realidade são as cenas de muitas mulheres chorando, chocadas e desesperadas, carregando ou aparando seus filhos, irmãos ou maridos assassinados.

Porém, mesmo a imagem dessas mulheres nos traz esperança, porque aqui no Rio, foi também a partir da luta e da dor das mulheres que começamos a organizar nossa Rede. Mulheres negras e brancas pobres das comunidades que tiveram seus entes queridos executados pela polícia ou grupos de extermínio. A elas, somaram-se militantes comunitários, ativistas de esquerda, movimentos sociais e organizações defensoras dos direitos humanos. Com o surgimento da Rede algumas iniciativas um pouco mais organizadas, mas ainda isoladas puderam se encontrar, e mais que se solidarizar, firmar alianças e se fortalecerem mutuamente na luta contra a violência e o genocídio de Estado contra nossas comunidades.

São as mesmas alianças e laços de solidariedade que buscamos e oferecemos, construindo a luta dos povos contra os senhores mundiais da guerra, do dinheiro, da exploração e da morte.

Liberdade para a Palestina!
Não ao extermínio da juventude pobre e oprimida!

Rio de Janeiro, 3 de março de 2008.

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