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2009-05-24

Maxwill de Souza dos Santos - Brás de Pina

Policiais militares do 16º Batalhão (Olaria) assassinaram, na noite de 24 de maio (domingo), o jovem Maxwill de Souza dos Santos, na comunidade Cinco Bocas, em Brás de Pina. Maxwill, que era ajudante de caminhão numa transportadora, encontrava-se numa festa na casa de um amigo, junto com sua mãe e irmã, durante todo o dia. Por volta das dez horas da noite, saiu com outro amigo para abastecer a moto. O jovem seguiu na garupa desta. Após saírem do posto, retornavam pela rua principal da localidade, quando um carro (Blazer) da polícia militar começou a atirar na direção dos jovens em questão. Tentando escapar dos tiros, Maxwill e seu amigo entraram numa ruela próxima. Ao entrar nesta rua, Maxwill levou um tiro mortal pelas costas. A bala atravessou o corpo do rapaz, atingindo principalmente o coração. Os policiais alegaram que foram à comunidade averiguar uma denúncia de baile funk e que ao chegar lá teriam sido recebidos a tiros por traficantes locais. Na delegacia, registraram a morte como sendo auto-de-resistência, além de entregarem uma arma e 103 papelotes de cocaína supostamente encontrados junto ao corpo do jovem.

Contudo, os familiares alegam uma série de irregularidades na versão contada pelos policiais envolvidos. Em primeiro lugar, a mãe de Maxwill, Cleusa de Souza, quando foi prestar depoimento na 38ª DP, foi informada pelo delegado de que até aquele momento apenas a arma havia sido entregue pelos policiais a ele e que nenhuma entrada de drogas havia sido registrada. Curiosamente, no dia seguinte, os papelotes com cocaína apareceram. Além do mais, os familiares afirmam que a arma apreendida era velha e não estava com características de que havia deflagrado algum tiro.

A irmã de Maxwill, Flávia de Souza Sarti, diz que assim que chegou ao Instituto Médico-Legal, na manhã seguinte a morte de seu irmão, na busca por informações e para exigir que o exame de reconhecimento de pólvora fosse feito, percebeu algo estranho. A recepcionista do IML mostrou-lhe um documento que indicava a realização do tal exame e o resultado, que confirmaria a presença de pólvora nas mãos de Maxwill. Flávia se incomodou com o que viu, pois não compreendeu como, quando e em que circunstâncias este exame foi feito, visto que seu irmão foi enterrado e o resultado oficial até hoje não foi divulgado.
Na reconstituição recentemente feita, mais uma vez foi possível perceber as contradições nas falas dos policiais envolvidos. Na rua principal, onde estes informaram que o confronto teria começado, há um muro grande. Entretanto, de acordo com os familiares, nenhuma marca de tiro foi encontrada, o que refuta a versão de que houve enfrentamento com traficantes.

Na reconstituição, que os familiares classificam como confusa e que apenas serviu para confirmar como os policiais se contradiziam o tempo todo, mais um fato desmente a versão elaborada pelos policiais do 16º BPM. Na semana em que a reconstituição foi realizada, houve um suposto tiroteio, desconhecido pelos moradores locais. Na manhã seguinte ao ocorrido, um muro que fica no interior da comunidade (diferente do primeiro, em outro local) foi encontrado completamente alvejado. Mais uma vez, de uma forma estranha, nenhuma cápsula de bala foi encontrada. Na reconstituição, um sargento envolvido no caso, ao refazer o caminho que teria supostamente percorrido na noite do assassinato de Maxwill, parou em frente ao tal muro, e de maneira incisiva o apontou, tentando confirmar sua versão de que realmente houve um confronto entre policiais e traficantes. Familiares e moradores questionam tal afirmação por dois motivos: em primeiro lugar, logo após a morte do jovem, este muro estava intacto. Em segundo lugar, desconhecem que tenha havido troca de tiros neste local, reforçando a idéia de que os policiais teriam forjado uma troca de tiros para justificar o assassinato de Maxwill.

Outro fato curioso foi que o jovem apareceu no hospital (já morto) sem seu documento de identidade, pois este havia, de alguma maneira, sumido após seu assassinato. Entretanto, logo depois que o corpo chegou, os familiares descobriram que o jovem havia sido registrado com seu nome completo, o que gerou mais desconfiança, posto que se o documento não estava com Maxwill, como alega os policiais, como foi possível registrar a entrada dele no hospital? Os familiares esperam que essa e outras perguntas sejam respondidas, principalmente esta: se houve realmente troca de tiros, como Maxwill morreu com um tiro pelas costas?

Os familiares do jovem morto ainda reclamam do tratamento dispensado pela polícia no enterro deste jovem. Informam que havia muitos policiais presentes e compreendem tal presença como sendo uma forma de intimidar qualquer possibilidade de protesto. Criticam ainda a postura de alguns agentes que debochavam e riam de toda a situação de sofrimento das pessoas que se encontravam no enterro, além de gravarem a cerimônia.

O caso foi levado à Comissão de Direitos Humanos da Alerj e ao Ministério Público. A Rede também vem acompanhando o caso, prestando o apoio necessário aos familiares. Maiores informações: Flávia (8507-6519)

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