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2009-04-02

Josenildo dos Santos - Morro da Coroa

A política do extermínio do Estado do Rio de Janeiro produziu mais uma vítima. Por volta das 17hs do dia 02/04/2009, Josenilson dos Santos, morador do Morroda Coroa, situado no bairro de Santa Tereza, Centro do Rio de Janeiro, foi morto por policiais do 1° Batalhão de Polícia Militar quando ia comprar cigarros.

Neste dia havia ocorrido uma incursão por esses mesmos policiais que, entretanto, não deixariam a localidade por completo. Alguns permaneceriam escondidos e encapuzados, à espera de encontrar traficantes, num beco da favela que levava a um bar. Os policiais controlariam a circulação neste local, impedindo a circulação dos moradores. Este grupo atiraria indiscrimidamente na direção de algumas pessoas. Importante lembrar, segundo relatos, que não houve nenhum confronto entre os policiais e traficantes locais naquele ocasião, o que coloca em questão essa atitude. Josenildo, que passava neste momento, foi parado e levou um tiro em um de seus joelhos. Tentaria, em vão, identificar-se dizendo que acabar de voltar do trabalho. Neste instante, já no chão os policiais o executaram com um tiro na cabeça. Segundo informam seus familiares, moradores teriam visto quando Josenilson implorou para não morrer e que ainda chegou a levantar as mãos para mostrar que estava sujo do trabalho na horta comunitária, o que não foi atendido pelos policiais. Ao que parece, a morte dele teria sido motivada pelo fato de que, ao descer para ir ao tal bar, teria visto os policiais matando outras pessoas.

O comandante do batalhão classificaria todos os mortos como traficantes, o que seria rechaçado pelos familiares. Segundo relatos obtidos, poder-se-ia classificar a situação como sendo execução sumária, visto que todos os que morreram já se encontravam imobilizados e não fazia sentido matá-los. A não ser pelo fato de que se pretendia omitir alguma coisa.

Logo após todo o acontecimentos, os familiares buscaram a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil e lá foram orientados a contatarem o Ministério Público. De acordo com a 6° DP (Cidade Nova), que registrou o caso (apesar do delegado fazer pouco do ocorrido e da dor dos familiares), identificaria que quatro, dos seis mortos, não possuia ligação alguma com o tráfico de drogas situado no Morro da Coroa. Os familiares, então, esperam a realização da investigação necessária para a elucidação do caso e, mais do que isso, exigem justiça e que Josenilson não seja classificado como traficante.

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