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2004-01-06
Source: Anistia Internacional

Wallace Damião Gonçalves, Júlio César Pereira da Silva, Flávio Moraes de Andrade, Eduardo Moraes de Andrade e José Manoel da Silva – Chacina do Caju

Na noite do dia 06 de janeiro de 2004, os jovens Wallace Damião Gonçalves, 13 anos, Júlio César Pereira da Silva, 16 anos, Flávio Moraes de Andrade, 19 anos, Eduardo Moraes de Andrade, 17 anos e José Manoel da Silva, 26 anos estavam reunidos jogando dominó, próximo a um mercado do Complexo do Parque da Alegria, na comunidade do Caju, Rio de Janeiro, quando dois policiais militares chegaram repentinamente atirando contra os rapazes, sem que eles pudessem reagir. Segundo informações dos familiares, as testemunhas contam que os rapazes ainda tentaram se identificar, solicitando que fossem levados até suas casas para que pudessem mostrar seus documentos, mas não foram atendidos. Indícios provam que a execução foi realizada ali mesmo, onde os rapazes estavam reunidos.

Houve ainda uma sexta vítima que sobreviveu: William Borges dos Reis também foi atingido pelos disparos dos policiais, mas conseguiu fugir e ser socorrido por vizinhos. Na manhã do dia 07 de janeiro, três dos cinco corpos foram encontrados em um lamaçal que fica localizado na própria comunidade, atrás da garagem de uma empresa de ônibus. Trata-se de um local ermo, onde certamente ninguém poderia presenciar o momento em que os corpos foram deixados e, principalmente, por quem foram deixados. Os outros dois corpos foram levados ao Hospital Souza Aguiar e identificados pelos policiais como supostos traficantes que teriam morrido em troca de tiros com a polícia.

Os corpos das vítimas que foram deixados no lamaçal ficaram horas expostos no local antes que fossem recolhidos ao IML – Instituto Médico Legal. Durante esse período, os familiares esperaram ao lado dos corpos dos seus filhos e presenciaram a chegada de policiais que pareciam estar ali para vigiá-los. Sem respeito à dor das famíllias um dos policiais disse: “Menos um porco para a gente prender”. A ocorrência foi registrada e, segundo familiares, os policiais militares envolvidos na execução continuam trabalhando na comunidade e teriam sido apenas alocados em batalhões diferentes.

O sobrevivente William prestou depoimento logo após o ocorrido. Inicialmente ele alegou ter sido atingido por uma “bala perdida”, mas depois, a pedido das famílias das vítimas fatais, voltou à 17ª Delegacia de Polícia e contou o que realmente lhe havia acontecido, ou seja, que havia sobrevivido a uma execução realizada por policiais militares. Logo após seu segundo depoimento, Willam e toda sua família se mudaram da comunidade. Eles disseram que temiam a presença dos policiais. Na última vez que Willian foi visto, em fevereiro de 2004, foi possível notar que ele ainda mancava em função do tiro que havia levado na noite da execução. Elisabete, irmã da vítima W., conta que três meses depois do assassinato, durante uma passeata organizada pelas mães das vítimas, policiais do 4° Batalhão da Polícia Militar, onde trabalham os envolvidos na execução dos garotos, tentaram atrapalhar a manifestação. Eles ameaçavam os vizinhos para que estes não aderissem à passeata e arrancavam os cartazes afixados nos postes pelos manifestantes. O inquérito policial foi iniciado na 17ª Delegacia Policial, mas foi transferido para a Delegacia de Homicídios.

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