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2003-06-28

Elenice Grassa de Azevedo, Carlos Augusto Almeida de Oliveira, Marlon Ricardo Santos de Brito, Amauri Lúcio de Jesus Barbosa e Fernando Gonçalves - Acari (Chacina do Amarelinho)

Naquele sábado, 28/06/2003, por volta das 13 horas, conduzindo um rapaz algemado que teria indicado o local, policiais militares cercaram e posicionaram-se em torno do sobrado na Rua Jota, defronte à Av. Brasil, onde encontravam-se quatro jovens (Carlos Augusto Almeida de Oliveira, Marlon Ricardo Santos de Brito, Amauri Lúcio de Jesus Barbosa e Fernando Gonçalves) e a dona da casa, Elenice Grassa de Azevedo, que segundo seu próprio marido (agora viúvo) e filhas tinha problemas mentais. Um policial entrou quebrando o telhado no cômodo dos fundos onde se encontravam os rapazes, que ao que tudo indica fugiram sem reagir com tiros para a parte da frente da casa. Eles ou receberam tiros de misericórdia após serem alvejados ou foram obrigados a deitar-se e então executados, como se conclui do que ouviram vizinhos e pessoas que estavam na rua e, principalmente, do fato de encontrarem-se muitas marcas de tiro no chão, precisamente onde haviam poças de sangue. Se houvesse acontecido apenas troca desordenada de tiros, não haveria razão para tantos tiros para o chão.

Elenice também morreu no seu quarto, pelo laudo pericial levou dois tiros no abdômen e um na palma da mão (indício de que tentou defender-se), mas o viúvo disse que foi atingida na cabeça quando estava no chão, concluindo pelas marcas de tiro e sangue que encontrou num canto do cômodo. Todas as marcas de tiro na casa (exceto as do chão) indicam disparos de fora para dentro (os policiais que cercavam estavam nas janelas da casa). Apenas uma, na porta de entrada, foi feita de dentro para fora, aparentemente os policiais fizeram esse disparo para arrombar a porta e assim poder remover os cinco corpos, que foram literalmente jogados escada abaixo e recolhidos por duas viaturas.

Elenice era evangélica, tinha duas filhas adolescentes das quais cuidava com carinho apesar de seus problemas, seu viúvo é comerciante e trabalha no Ceasa. A polícia sustenta a versão de que ela era ligada a atividades criminosas e dava abrigo freqüentemente a traficantes, mas a única “prova” que apresenta para essa conclusão é o depoimento, registrado em presença apenas de policiais na 40ª, do mesmo rapaz detido que apontara o sobrado. Este rapaz foi “liberado” depois pela polícia e está desaparecido. Todos os vizinhos de Elenice negam a versão da polícia.

O assassinato de Elenice quase se transformou em tragédia maior porque muitos moradores queriam partir para o confronto com os policiais do Getam que chegou no final da tarde, após a remoção dos corpos. O confronto suicida foi evitado com dificuldades e a comunidade canalizou a revolta para a preparação de um protesto mais organizado.

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