Source: Pela Vida Contra o Extermínio
MARÉ DE ROCK: Pela Vida Contra o Extermínio
O evento Maré de Rock faz parte de uma série de iniciativas do fórum “Pela Vida, Contra o Extermínio”, e ocorrerá no sábado 18 de outubro de 2008 em frente à Escola Municipal Bahia, AV. Guilherme Maxwel próximo à passarela sete da Avenida Brasil, num dos acessos ao bairro Maré no Rio de Janeiro.
O objetivo do evento – assim como outros relacionados ao fórum Pela Vida, Contra o Extermínio – será denunciar e chamar a atenção da sociedade, para a questão da criminalização da pobreza, da favela e dos movimentos sociais. O local escolhido, uma das entradas da Maré, possui relação direta com as principais vítimas da atual política de segurança pública do Rio de Janeiro, os pobres e os favelizados.
Em função da política de enfrentamento que se instalou nas favelas do Rio, a polícia do Estado tornou-se aquela que mais mata e mais morre no mundo inteiro atualmente, e o Rio se tornou a capital mundial da morte por “bala perdida”, além de ser o Estado onde mais jovens negros e pobres morrem assassinados do Brasil.
O Governo do Estado se mostra pouco sensível com a situação de desespero que provoca nas favelas e na população pobre – que permanece pagando impostos – impostos esses que sustentam o Estado, o governo e a polícia, mas que retornam a esses contribuintes em forma de escolas fechadas, tiroteios, comércio fechado, correria, desespero, ofensas morais, raciais, sociais e a morte.
Nos últimos anos, a política de terror ou política do confronto, tem trazido continuamente atos de violência – defendida e financiada pelo Estado – contra moradores do Rio de Janeiro, sobretudo moradores de áreas onde atuam o tráfico de drogas ou as milícias. A voz dos violentamente oprimidos deu reposta. Campanhas contra o Caveirão, marchas contra o extermínio e violência policial, foram marcas importantes da História de lutas urbanas em favor de uma vida digna de todos e contra as múltiplas formas de opressão, desigualdade e ignorância.
Apesar das ações e declarações em tom fascista do governo, não aceitamos o rótulo de descartáveis e vamos a luta, resistiremos e combateremos com nossas armas o “Apartheid” instalado no Rio de Janeiro desde sempre. Agiremos e agitaremos com a tradição rebelde do Rock e a mobilização comunitária, a mesma que lutou contra as guerras, a indiferença, o preconceito, a miséria, e pela liberdade em várias regiões do planeta. Inspiremo-nos então na frase dita por um integrante das bandas do festival: “ninguém mata em meu nome”.
Para dar mais um sinal de denúncia, de não-acordo com as políticas públicas de “segurança” acontecerá esse festival de Rock na Maré. Este evento dará apoio e será apoiado pelo “fórum Pela Vida, Contra o Extermínio”, que se formou recentemente e inclui diferentes grupos e atores que se colocam ativamente em oposição ao terror de Estado. O festival de bandas “Maré de Rock” contará com a contribuição de pelo menos 10 bandas, intervenções artísticas e manifestações culturais, e todos os interessados de vir participar, escutar Rock, trocar idéias e festejar estão convidados.

