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2009-08-05
Source: Encontro Popular pela Vida e por Outra Segurança Pública do Espírito Santo

MANIFESTO PELA VIDA E POR UM NOVO MODELO DE SEGURANÇA PÚBLICA (ESPÍRITO SANTO)

O manifesto a seguir foi aprovado no Encontro Popular pela Vida e por Outra Segurança Pública do Espírito Santo, realizado em 01/08/2009. Na mesma ocasião, foi formado o Fórum Estadual Permanente Contra a Violência no Estado do Espírito Santo.

Considerando a iniciativa do Tribunal Popular, encapado pelas entidades capixabas abaixo-assinadas, de realizar um debate popular sobre a construção de um novo modelo de segurança pública, do ponto de vista contra-hegemônico e baseado na luta histórica do povo pobre e negro brasileiro;

Considerando o inaceitável quadro da violência na sociedade brasileira, em especial na sociedade capixaba, que tem vitimado prioritariamente os pobres, as crianças e os adolescentes, as mulheres, o segmento LGBT, e cuja letalidade tem se expressado no trágico extermínio da juventude negra e pobre;

Considerando a violência como a mais evidente expressão contemporânea da questão social, esta entendida como consequência direta do modo de produção capitalista, marcado pela luta de classe e pela apropriação desigual das riquezas socialmente produzidas;

Considerando que o sistema de segurança e justiça tem se mostrado historicamente, e sobretudo neste momento, como instrumento de manutenção das estruturas de poder político, econômico e social, resultando em criminalização da pobreza, da negritude, da juventude e dos movimentos sociais;

Considerando que o efetivo e verdadeiro enfrentamento da violência deve ser feito por políticas preventivas, que passam por redistribuição de riqueza e garantia de direitos, e por políticas de repressão qualificada com absoluto respeito e promoção dos direitos humanos;

Considerando a necessidade de afirmação da segurança como direito humano fundamental que requer políticas governamentais intersetoriais, responsabilização dos três entes federados, dos três poderes da república, além do Ministério Público e com ampla participação e controle popular;

Considerando o equivocado modelo de segurança pública vigente no Brasil, e maximizado no Espírito Santo, gerenciado pelo paradigma repressivo punitivo e violador, que tem privilegiado o uso excessivo da força, o endurecimento das penas, a deficitária oferta do número de vagas no falido sistema prisional, a redução da maioridade penal, dentre outros;

Considerando, por fim, a dimensão subjetiva da violência, construída e sedimentada historicamente por uma cultura sócio-política autoritária, escravista, elitista, machista, homofóbica, patrimonialista e privatista;
As entidades abaixo-assinadas, reunidas no I Encontro Popular pela Vida e por Um Novo Modelo de Segurança Pública, no dia 01 de Agosto de 2009, CALIR, Viana-ES, decidem pela criação do Fórum Estadual Permanente Contra a Violência e pugnam pela construção de um novo modelo de segurança pública, a ser pautado pelas seguintes diretrizes:

Conselho Estadual de Direitos Humanos – CEDH/ES;
Fórum Estadual de Mulheres do Espírito Santo;
Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH/ES;
Centro de Apoio aos Direitos Humanos – CADH;
Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra – CDDH/Serra
Centro de Defesa dos Direitos Humanos “Pedro Reis” de Cachoeiro de Itapemirim – CDDH/Cachoeiro de Itapemirim;
Fórum Estadual de Juventude Negra – FEJUNES;
Fórum Estadual LGBT;
Círculo Palmarino;
Comissão de Direitos Humanos da OAB/ES;
Rede Alerta Contra o Deserto Verde;
Associação dos Advogados Criminalistas do Espírito Santo;
União Brasileira de Mulheres do Espírito Santo – UBM/ES;
Associação Capixaba de Redução de Danos – ACARD;
Núcleo de Direitos Humanos de Atílio Vivácqua;
Centro Brasileiro de Defesa da Paz, Solidariedade entre os Povos – ES;
Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN/ES;
Agentes de Pastoral Negros- ES – APN’s;
Movimento Nacional de Luta Pela Moradia – ES – MNLM/ES;
Associação dos Trangêneros do Estado do Espírito Santo – ASTRAES;
Associação de Mães e Familiares de Vítimas da Violência – AMAFAVV/ES;
Igreja Comunidade Metropolitana;
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Colatina – CDDH/Colatina.

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