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2009-04-27
Source: Eucimar de Oliveira / Blog youPode

PM protege a casa de Cabral

Entrevista com Patrícia de Oliveira, publicado no Blog youPode, sobre a vigília realizada nos dias 24 e 25/04 no Leblon, próximo à casa do governador Sérgio Cabral

O Governador Sérgio Cabral não perdeu o sono porque não estava em casa, no seu confortável apartamento no Leblon. Não estava em casa e nem no Brasil (encontra-se em em Paris, no luxuosíssimo hotel George V como informa o blog Alguém Me Disse, de Dacio Malta, aí ao lado). Mesmo assim, a Polícia Militar impediu que vários manifestantes chegassem à porta do edifício em que mora o governador para um vigília de oito horas em memória das vítimas da violência policial. Eles tiveram que ficar nas imediações, onde espalharam 60 bonecos representando 60 cadáveres. Toda o movimento foi fotografado por agentes à paisana do serviço reservado da PM e os manifestantes tiveram a solidariedade de vizinhos do governador.A vígília começou à meia noite e acabou na manhã deste sábado. Na quinta-feira, uma das organizadoras do ato, Patrícia de Oliveira, irmã de Wagner Santos, sobrevivente da chacina da Candelária, falou ao youPode sobre a concentração.

Qual é a principal razão da manifestação?

-Não queremos mais a política de enfrentamento, na qual a polícia mata primeiro para investigar depois. Isso é ruim para os inocentes e até para as forças policiais, porque eles também morrem.

As recentes mudanças na cúpula da Secretaria de Segurança podem agravar isso? Afinal, foram escolhidos para cargos de chefia policiais considerados mais da linha dura?

-É claro que pode aumentar o número de inocentes mortos. Não se faz segurança com inteligência aqui. É na base do atirar primeiro. Nesta vigília vamos pedir também a substituição do secretário de Segurança (José Mariano Beltrame). Ele já recebeu várias denúncias sobre violência policial e não fez nada. Um delas claríssima, no Morro da Providência.

Quem está com vocês?

-Temos a ajuda da Rede contra a violência e de várias famílias de vítimas da violência, como os pais do João Roberto, gente de Vigário Geral, das Mães de Acari (há 20 anos mataram seus filhos e até hoje nada foi esclarecido), da família do Daniel Duque, etc. A Rede contra a violência também nos ajuda.

Vocês temem alguma repressão?

-Já soubemos que houve pedido de reforço de policiamento para as imediações do prédio do governador, mas faremos a manifestação assim mesmo.

Qual a razão principal do pedido de substituição do secretário Beltrame?

-Ele, que cumpre ordens do governador, também deve achar que as mulheres das favelas são fábricas de marginais. Ele é dos que pensam que a Zona Sul deve ser vista com os padrões de segurança da Suécia e os subúrios como alguma coisa como o Gabão (país pobre da África).

O Movimento de Vítimas de Violência é nacional. Que tipo de solidariedade vocês estão recebendo?

-Sei que também haverá atos nesta sexta-feira em São Paulo, na Bahia, no Espírito Santos e no Acre. Nós estamos trabalhando em conjunto.

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