Artigos  


2008-09-15
Source: Diego Novaes

O SENHOR POLICIAL, O CIDADÃO E O MELIANTE

O texto a seguir é pra não passar em branco algo que ocorreu na sexta-feira 28 de março desse ano. Houve uma grande passeata pelas ruas do centro do Rio de Janeiro em memória dos 40 anos da morte do estudante Edson Luís, assassinado brutalmente por um dos policiais capangas do governo militar. Para quem não sabe, o grande crime do estudante foi protestar por melhores condições do Calabouço, uma espécie de bandejão que atendia a estudantes secundaristas e universitários da época.

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2008-07-27
Source: Jornal Brasil de Fato

O Estado de direito no Brasil é uma ficção

Entrevista de Maurício Campos a Danilo Dara, publicado na edição do Jornal Brasil de Fato de 17 a 23/07 de 2008.

A execução do menino João Roberto, de 3 anos, por policiais militares, dia 7 de julho, no Rio de Janeiro (RJ) chama a atenção por pelo menos dois motivos: um deles é o aumento de casos de mortes por “engano”, cometidas pela polícia. O outro é o tratamento dispensado pela imprensa corporativa em relação à violência.

Quando é praticada contra pessoas da classe média e ricos, adota um tom de indignação e de cobrança de explicações e medidas por parte do Poder Público. Já quando as vítimas são pobres, quando não se apóia a repressão, trata-se o caso de maneira sensacionalista e apressa-se por encontrar razões e culpados individuais.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Maurício Campos, da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência afirma que mesmo quando a classe média se torna vítima da violência estatal “a grande imprensa encontra meios de manter o preconceito de classe atuante, ao tratar com ênfase e cobranças diferentes cada caso”. De acordo com Campos, “a criminalização da pobreza se revela mesmo quando as vítimas do Estado não são exatamente pobres”.

Leia a seguir a entrevista.

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2008-07-10
Source: Renato Prata Biar

Tragédias tão comuns

Sempre que acontece uma tragédia como essa do garoto de três anos que foi baleado e morto pela polícia, numa perseguição a bandidos, retorna-se, como sempre, à mesma retórica de que os policiais estão mal preparados. Mentira! Não estão não! Pelo contrário, eles estão fazendo e cumprindo exatamente aquilo que eles aprenderam dentro da Academia de Polícia, nos quartéis e também nas ruas. A polícia do Rio de Janeiro, e de todo o Brasil de uma maneira geral, é treinada e orientada para executar (somente no ano de 2007 foram registrados 1260 homicídios praticados pelos policiais do RJ).

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2008-06-17
Source: Latuff

No sistema capitalista tudo está a venda, inclusive a honra

A recente tragédia envolvendo, mais uma vez, residentes de comunidades carentes no Rio, onde militares do Exército Brasileiro entregaram três jovens do morro da Providência nas mãos de traficantes de uma outra favela para serem torturados e executados, revela que há muito caiu por terra o mito da incorruptibilidade das forças armadas. Claro, haverão aqueles que se apressam em afirmar que se trata de um "caso isolado", aliás, argumento esse o preferido pelas autoridades e a mídia burguesa toda vez que surgem denúncias de envolvimento de policiais em crimes, numa tentativa de proteger as sacrossantas instituições da repressão. O que vemos no entanto é que, constantemente, vem a tona notícias dando conta do apoio logístico de militares brasileiros ao tráfico de drogas. E a frequência destes incidentes nos faz pensar que estão longe de ser exceções a regra. A corrupção é a maior, a mais vigorosa e consolidada de todas as instituições brasileiras, e nem todo o rigoroso treinamento e a hierarquia da caserna poderá livrar soldados ou generais de suas armadilhas, porque no sistema capitalista tudo está a venda, inclusive a honra.

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2008-06-05
Source: Sandra Quintela

Lula no Haiti: sub-imperialismo brasileiro em ação

No último dia 28 de maio, o Presidente Lula visitou o Haiti pela segunda vez. A primeira havia sido em 2004, junto com a seleção brasileira, que desfilou pelas ruas de Porto Príncipe em carro (de guerra) aberto. Desta vez, chegaram na comitiva a Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, entre outras empresas convidadas. Uma delas, cujo nome é mantido sob sigilo, já recebeu US$ 80 milhões do Banco de Desenvolvimento Europeu para a primeira fase das obras de reestruturação de rodovias haitianas. No mesmo momento, o movimento social haitiano Batalha Operária solicitou autorização à Polícia para fazer um ato na porta do Palácio Nacional, em Porto Príncipe, para protestar contra a presença das tropas militares no país. A Polícia Nacional haitiana negou o pedido.

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2008-05-11
Source: Hamilton Borges Walê

Os 7 pecados Capitais – na Segurança Pública da Bahia

Artigo de Hamilton Borges Walê, militante e poeta de Salvador (BA), membro do Movimento Negro Unificado e da Campanha Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta.

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2008-04-25
Source: Roberto Marques

Educação e Violência: a ação da Secretaria Municipal de Educação e a operação da polícia na Vila Cruzeiro

Em 2007, mais especificamente ao segundo dia de maio, teve início uma grande operação policial na Vila Cruzeiro, numa tentativa de ocupação que pereceu se encerrar perto do final do ano. Naquele dia fatídico, alunos, funcionários e professores das escolas municipais daquela favela viveram, dentro das suas unidades, momentos inesquecíveis. Foram horas no meio do fogo cruzado, em que as paredes das escolas serviram de escudo e receberam os mais variados tipos de projéteis e até mesmo um estouro de granada fez parte da história. Em poucos dias a situação ultrapassou as possibilidades de funcionamento das escolas (como quase tudo na Vila) e foram todas elas transferidas para outra, no largo da Penha. Ou seja, mais de seis escolas num mesmo prédio.

Assim a saga seguiu até o início de agosto, quando as escolas (quase todas) voltaram a funcionar nos seus respectivos prédios. Porém, os confrontos não cessaram. Apenas, talvez, reduziram um pouco a intensidade e não tinham a forma de uma operação policial mais ampliada. Criou-se assim o embrião de uma ‘cultura escolar do confronto’, onde as escolas procuraram construir estratégias para o funcionamento possível dentro do absurdo da situação.

O ano de 2008 parecia iniciar de outra maneira. Algumas poucas entradas do veículo blindado – o famoso caveirão – proporcionavam rápidos confrontos. Suas chegadas e saídas eram anunciadas com fogos pelo tráfico, o que possibilitava que na comunidade as pessoas seguissem rápido para suas casas e as escolas pudessem ser evacuadas antes do início dos combates.

No dia 11/04/2008, porém, a história mudou seus rumos. Policiais chegaram sem anunciar a entrada e escolheram a porta de uma escola como base para sua operação. Ou seja, não se importaram com a natureza do local, incluindo as pessoas que ali estavam, mas provavelmente com o valor estratégico da posição. É bom lembrar que isso foi às 15h40min, no meio do segundo turno escolar. Desnecessário dizer, salas de aula foram atingidas, alunos ficaram amontoados em locais considerados mais seguros, responsáveis se arriscaram tentando atravessar os combates para poder recolher seus filhos, etc. Enfim, não é difícil perceber que as escolas ficaram exatamente nas linhas de tiro. Por volta das 17h30min, uma estiada na chuva bélica permitiu que as pessoas esvaziassem rapidamente as escolas, pois a operação se preparava para continuar.

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2008-04-07
Source: Jobson Lopes dos Santos

Estado Policial e Direito de Resistência

As bases do Estado Policial no Brasil : A Tirania Doméstica

Ao definir a concepção política do governo do Marechal Floriano, conhecido também como “Marechal de Ferro”, o narrador do livro de Lima Barreto Triste fim de Policarpo Quaresma chega à conclusão de que esse governo não era despótico, democrata ou aristocrata. Era na verdade uma tirania doméstica. “O bebê portou-se mal, castiga-se. Levada a coisa ao grande e o portar-se mal era fazer-lhe oposição, ter opiniões contrarias às suas e o castigo não eram mais palmadas, sim, porém, prisão e morte. Não há dinheiro no Tesouro; ponham-se as notas recolhidas em circulação, assim como se em casa quando chegam visitas e a sopa é pouca: põe-se mais água.”(1)

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2008-03-27
Source: OBSERVATÓRIO DAS VIOLÊNCIAS POLICIAIS-SP

SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL: POLÍTICA DE CONFRONTO OU POLÍTICA DE EXTERMÍNIO?

Artigo da Equipe do OBSERVATÓRIO DAS VIOLÊNCIAS POLICIAIS-SP, que analisa as políticas de segurança pública no Brasil e a prática das forças de repressão, a partir de comentário crítico sobre a matéria de O Globo (09/03/2008) que comparou a “letalidade” das polícias carioca e paulista.

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2008-03-23

Dulcinéria Pereira da Silva (10/05/63 - 18/03/07) - Exemplo de luta e vítima da violência e do descaso

Dulcinéria nasceu em 10/05/1963 e faleceu internada em um hospital público em 18/03/2007. Era mãe de cinco crianças e também de Júlio César Pereira da Silva, assassinado covardemente aos 16 anos por policiais militares em 07/01/2004, junto com outros quatro jovens, no que ficou conhecido como chacina do Caju.

Após o assassinato, juntou-se com outras mães do caso na luta por justiça, e passou a militar também na Rede contra a Violência. Prestou depoimento no documentário “Entre Muros e Favelas” e fez parte da comitiva da Rede que esteve no Fórum Social Mundial em janeiro de 2005.

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2008-01-24
Source: José Roberto Magalhães e Marlana Rego Monteiro dos Santos

Educação Popular – instrumento de libertação. Para além do pragmatismo banal, acreditamos que uma outra sociedade é possível

I. Considerações Iniciais

Este texto reflete algumas ponderações e considerações, ainda que iniciais, com o objetivo de dialogar com uma série de companheiras(os) militantes. Achamos ser possível construir e desenvolver um trabalho em comum, independentemente de seus matizes filosóficas ou de suas tendências no seio da esquerda.
O objetivo deste material se expressa na tentativa de unificar uma proposta em conjunto, tanto dos companheiros que trabalham dia-a-dia em escolas do estado e do município, e rede privada, como das(os) que desenvolvem trabalho alternativo em pré-vestibulares comunitários, creches ou alfabetização de adultos, sejam em ocupações (urbanas e rurais) ou em favelas. Isso sem contar em eventos como palestras, debates, seminários, etc.

José Roberto Magalhães e Marlana Rego Monteiro dos Santos
Militantes de Educação Popular

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2007-12-18
Source: IHU On-Line

A violência institucional ilegal é exercida hoje como uma política sistêmica. Governos não fazem mais a diferença

Entrevista concedida por Paulo Arantes, graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), doutor pela Universidade Paris X, Nanterre; docente emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, departamento de Filosofia da USP. A entrevista foi concedida à IHU Online, do Instituto Humanitas Unisinos.

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2007-12-13
Source: Coletivo de Hip Hop LUTARMADA. (Núcleo Costa Barros)

Tropa da Elite (Espada na Pobreza)

Está em curso mais uma passeata pela paz, realizada pelos ricos. De repente, no meio de tanta gente de pele branca, bem cuidada, aparece um homem preto, furioso, e enche de porrada um jovem estudante da PUC, que revende maconha aos seus colegas de universidade. Tudo isso, em meio aos olhares assustados da burguesia carioca.

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2007-11-13
Source: Hamilton Borges

Reaja ou Será Morto ou Será Morta - Um Comunicado de Guerra

Artigo de Hamilton Borges, do Movimento Negro Unificado da Bahia e do Movimento Reaja ou será Morto, Reaja ou será Morta!

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2007-11-01
Source: Marcos Rolim

Violência Policial: barbárie à moda brasileira

Artigo escrito por Marcos Rolim, depois de assistir a Oficina da Rede no V Fórum Social Mundial (Porto Alegre, janeiro de 2005)

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2007-10-31

O ESTADO BANDIDO E AS "MULHERES NO TRÁFICO"

Artigo de Maurício Campos publicado no site Fazendo Media em 31/10/2007.

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2007-10-28
Source: Marcia de Oliveira Silva Jacintho

Faço parte dessa sociedade, ainda que ela não me tem como tal

Hanry, natural do Rio de Janeiro. Data de nascimento, 28/09/1986. A um mês de nascido, fui morar em Minas Gerais, e lá foi a infância dele. Vinha sempre no Rio com ele, mesmo sendo bebê. Eu estava no Rio quando nasceram os primeiros dentinhos, quando deu os primeiros passos, meu bebê sempre foi muito lindo, aos 9 meses já falava mama, seu jardim de infância foi em MG, escolas etc; pois seu pai era da cidade de Minas, e eu fui um dia visitar a cidade e gostei, e um tempo depois fui morar lá, é uma cidade maravilhosa.

E ele era um menino alegre porém reservado, ou melhor dizendo tímido, mas tinha muita facilidade de fazer amigos, mas avisava que não gostava que mexessem em nada que era seu, e já desde pequeno escolhia as roupas que queria vestir, era machista porém, amável. Pois, foi criado, com muito amor, todos nós amávamos. A saudade será para sempre, eterna.

Sonhos: ser jogador de futebol, e poder ter situação boa para me tirar do morro, foram as palavras dele, quando estava fazendo o curso esportivo. Fatos marcantes: bons foram muitos, mas quero falar de um momento que foi de um grande orgulho para mim, quando ele teve seu primeiro emprego como adolescente, via nele um sorriso, como assim dizendo sou homem, ali vi que meu menino acabava de virar um homenzinho, no bom sentido.

Último dia, ele tomou banho e se preparava para sair, quando me viu me arrumando para sair. E me perguntou, mãe a onde a senhora vai? E eu lhe respondi: ora, em vez do filho dar satisfação à mãe, é a mãe que dá ao filho. E ele riu, e eu falei, vou levar sua sobrinha no médico, e ele saiu, isso era mais ou menos 10:30h da manhã, e foi a última vez que vi meu filho com vida.

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2007-10-28
Source: Renato Prata Biar

A criminalização da pobreza

O medo sempre foi utilizado durante toda a história nos mais diversos lugares e civilizações como um forte pretexto para que se justificasse, legitimasse e se naturalizasse certos comportamentos, doutrinas, leis, punições violentas, desumanas e cruéis. Um bom exemplo é a Idade Média e o seu período da Santa Inquisição com a caça às bruxas, aos hereges, etc. que, não muito raro, acabavam queimados vivos na fogueira. Porém, quero aqui me utilizar apenas do Brasil como exemplo de uma sociedade que também passou e ainda passa por esse périplo.

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2007-10-28
Source: Patrícia Silva Gomes dos Santos

Deixar de ser escória dessa sociedade

Como me senti ou como me sinto até hoje, impotente. Apenas mais uma entre tantas que perdeu o irmão de maneira vil, discriminada. Até hoje eu não consigo falar da morte do meu irmão sem que me de um nó na garganta, e as lágrimas rolem. Não tem um dia em que eu não deixo de lembrar do 21 de novembro de 2002, entre 17 e 18h , quando ouvi em pé na pia, lavando louça um barulho que ninguém me tira da cabeça que foi o tiro que tirou a vida do meu irmão, de apenas 16 anos, o qual eu vi nascer. Dei banho, mamadeira, vi nascer os primeiros dentinhos, no momento foi só um aperto no peito, no dia seguinte, a confIrmação. Ele já não estava mais entre nós. Por muito tempo eu vivi perguntando porque com meu irmão, porque Deus? Até mesmo o quê eu poderia ter feito de errado. Mas a verdade é que eu não pude fazer nada, e hoje eu sei que Deus e nem eu tivemos culpa.

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2007-09-25
Source: Adriana Facina / Mardonio Barros

Tropa DA elite ou Matou na favela e foi ao cinema

Artigo de Adriana Facina (UFF/Observatório da Indústria Cultural) e Mardonio Barros(MST/Observatório da Indústria Cultural), publicado originalmente no blog Observatório da Indústria Cultural

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